Cap 1
Na Inglaterra, final do século XIX, uma festa estava acontecendo no castelo do conde Windson para celebrar o noivado entre sua bela filha e o conde de Hades.
-Apresento a todos a minha bela filha que hoje, não só completa seus 17 anos, como também comemora seus laços recém formados com o conde de Hades.
As palmas dos convidados ecoavam pelo enorme salão, com pilastras folheadas a ouro e lustres de cristal que cintilava a luz de velas que nele se apoiavam. Uma menina muito acanhada descia a escadaria de madeira revestida com um belíssimo carpete vermelho. O jovem conde de Hades se aproxima da bela dama se agacha pegando uma das mãos da moça coberta com luvas e a beija carinhosamente.
- Prazer senhorita Windson... É uma alegria enorme conhecê-la pessoalmente.
Ele sorria docemente. Ela puxava rapidamente de volta para si sua mão muito corada e assustada, mordendo o próprio lábio inferior se afastava um pouco. Vestia um vestido branco com detalhes em rosa claro, muito bonito, com babados que desciam pela gola. Seus cabelos eram negros como a noite e estavam presos com uma discreta presilha em formato de rosa. Ela olhava o belo homem de cabelos castanhos claros com seus profundos olhos azuis.
- Vejo que vocês já estão se conhecendo... - O conde de Windson se aproximava segurando a filha pelos ombros e a virando de volta para o conde de Hades. - Sara é muito tímida, perdoe-a pelos seus modos...
O conde de Hades fecha os olhos serenamente e cruza os braços calmamente, pega um copo de vinho e toma um gole saboreando cuidadosamente a bebida.
- Senhor Windson, sua filha é adorável... Não a razão para pedir desculpas, por favor, não seja tão formal com seu futuro genro, agora somos todos da mesma família - sua voz era doce e gentil. - Poderia me dar à honra de dançar com sua adorável filha? - Hades fazia uma curta reverencia logo após uma linda valsa começar a tocar, ele deixava o copo de vinho com um garçom que passava e Sara sedia a mão descontente em meio aos murmúrios do pai.
- Seria um prazer senhor Hades...- O conde Windson empurrava de leve a filha de cabeça baixa para os braços de seu noivo.
- Não se preocupe senhorita Sara... Eu cuidarei muito bem de você. - Hades começava a dançar com ela falando bem baixinho em seu ouvido, Sara não disse nada, sentiu um forte arrepio na pele e mordeu o próprio lábio inferior ficando ligeiramente corada. A bela valsa tocava ecoando pelas paredes do castelo, todos os convidados dançavam. Sara empurra o conde Hades, o afastando de si, as lágrimas escorrendo pelo seu belo rosto, Hades sem entender a reação da garota fica pasmo, ela se solta de sua mão que ainda estava a segurando e corre para o seu quarto com as mãos no rosto soluçando. Hades e os outros convidados que estavam por perto, a acompanham com o olhar.
Cap 2
***
No dia seguinte as fofocas mais quentes na cidade eram: “Porque a senhorita Sara Windson havia saído chorando dos braços de seu noivo na festa de seu noivado?”
-COMO VC PODE FAZER ISSO COMIGO? AGORA TODOS ESTÃO COMENTANDO! - gritava o conde Windson com sua filha que apenas ouvia de cabeça baixa na mesa do café da manhã. Ele batia na mesa com força derrubando uma xícara de chá no chão. - MERDA! - exclamava vendo a xícara partida.
-A culpa não é minha, pai! Eu nunca disse que queria me casar!- o pai da garota se aproximava dela, que não escutava mais sentada de cabeça baixa, mas elevava a voz em pé, ela recuava alguns passos e fechava os olhos. O conde de windson lhe dava um tapa na cara deixando sua bochecha esquerda muito vermelha. As lágrimas de Sara caiam no carpete vermelho, porém ela não estava triste como na noite anterior e sim de ódio pelo homem robusto que estava na sua frente.
À noite caí, as ruas escuras iluminadas por lampiões, no céu negro envolto em tristeza as estrelas brilhavam como lágrimas, a Lua cheia iluminava a onde a luz dos lampiões não alcançava. Sara corria pelas ruas deserta coberta por um capuz preto enquanto limpava seu rosto do choro incessantemente com as costas de suas mãos delicadas. Ela esbarrava violentamente em um homem muito alto que usava um chapéu, ele a segurava firme pelo braço e levantava a cabeça deixando-a ver seu rosto coberto com cicatrizes, ela solta uma exclamação de horror, as lágrimas ainda escorrendo pelo seu rosto.
-O que foi minha querida? Não gostou de mim? - O homem ainda a segurando com força, falava com uma voz sombria e um leve tom de risada, a garota olhava em volta procurando ajuda, as ruas vazias e escuras, apenas os dois estavam ali. O homem a empurrava contra uma parede a fazendo bater com a cabeça, seu grito de dor é abafado pela mão dele. Um forte cheiro de ópio consome o ar à medida que ele vai chegando mais perto dela. - Quando se está sob efeito do ópio não é agradável ouvir sons muito altos... - dizia ele debochando da cara de terror da jovem dama ainda tampando a boca dela com a mão.
-Me solta, por favor... - dizia ela se livrando da mão do homem, voltando a chorar.
-Só depois que você me divertir um pouco. - ele ria enquanto passava a língua no pescoço de Sara e puxava lentamente o decote de seu vestido, ignorando as tentativas falhas dela de se soltar e seus soluços constantes. Ao fundo dava para ouvir o som de cascos no paralelepípedo, que ficavam cada vez mais alto, o homem se vira percebendo uma grande carruagem de onde desce um belíssimo rapaz com seus trajes elegantes iluminados pela lua branca, ele tira a cartola da cabeça revelando seus belos cabelos loiros.
-Meu senhor ela já pediu para você a soltar... Caso não tenha ouvido. - o rapaz sorria gentilmente e olha fundo nos olhos de Sara.
-E quem é você para dizer o que eu devo ou não fazer? - Falava o homem com desdém, enquanto puxava para mais perto a garota.
-Bem... Se você não vai solta-la por bem... - ele tira de seu bolso uma pistola e aponta para a testa do homem. As mãos do homem robusto cheio de cicatrizes no rosto ficam visivelmente tremulas e sua visão embaçada, sem saber direito se era por causa do ópio ou do medo. As mãos de Sara escorregam por entre seus dedos, sua boca entre aberta, o rapaz para de sorrir e faz um sinal para o homem partir, ele o obedece sem fazer barulhos. Sara desaba. O rapaz a segura em seus fortes braços, ele também tinha um cheiro de ópio e álcool, talvez mais fraco q do outro, talvez igual, ela não sabia explicar, só sabia que se era o seu salvador ela não se importa. – A senhorita está bem? – perguntava ele olhando-a com seus lindos olhos verde claro.
-Sim... Acho que sim... Só um pouco assustada... – Ela estava encantada com o homem que salvará a sua vida.
-Meu nome é Jean Jabouille, e a senhorita? – Jean pegava na mão da jovem dama e a beijava.
-Me chamo Sara, Sara Windson. – Dizia com uma voz fraca, ela olhava fundo nos olhos do rapaz que a segurava em seus braços, o cheiro de ópio e álcool nunca tinha sido tão bom.
-Nossa... A senhorita é a senhorita Sara? Estou honrado em conhecê-la. – Ele a colocava de pé e a acompanhava até a carruagem abrindo a porta da mesma. – Deixe-me levá-la para casa.
A jovem dama entrava na belíssima carruagem se sentando no canto.
-Seu nome é francês certo? – dizia ela enquanto ele entrava e se acomodava ao seu lado.
-Sim é... Está carruagem era de meu pai, éramos uma nobre família francesa, mas perdemos tudo quando meu pai foi acusado de cometer um assassinato, mas ele não fez nada... – ele mudava um pouco seu tom, colocava as mãos no rosto fazendo uma pausa longa – foi apenas um acidente. Nem ele nem minha mãe suportaram as pressões e assim que meu pai se matou eu e minha mãe, viemos para cá, a fim de recomeçar... Infelizmente, não deu certo... Minha mãe deprimiu e a depressão a matou aos poucos... – sua voz era calma e serena, ele falava da mãe como se não se importasse, olhando pela janela. – Hoje vivo de álcool, drogas e jogos... Faço alguns serviços pequenos, mas é raro. - Sara o olhava com compaixão e pena, mordendo o próprio lábio inferior. – E a senhorita? Está fazendo o que aqui uma hora dessas?
Ela olha para baixo pensando, então começa a falar:
-Eu fugi de casa. – ela o olhava e seus olhos se enchiam de lágrimas. – Estou sendo obrigada a me casar pára que os laços entre as famílias de condes Windson e Hades sejam fortes e eternos, para que os poderes e riquezas sejam um só. Eu não quero me casar! Eu não o amo! Eu... eu... eu... – Sua voz ia sumindo Jean coloca a mão por cima da dela e limpa uma lágrima que escorria pelo rosto da bela jovem.
-Eu entendo... É o seu dever não é? Se você desistir de tudo agora será deserdada, não terá nada, não terá nome, dinheiro e nem família. Vá para casa. Nos veremos de novo. – A carruagem para enfrente a casa de Sara, ele se aproxima de vagar da garota, ela o olha em seus olhos, ele encosta carinhosamente os lábios dele nos dela emendando em um caloroso beijo que parecia que ia durar para sempre. Ela desce da carruagem e com um ultimo aceno ele desaparece nas ruas escuras.
Cap 3
***
Os dias passavam e o dia do casamento se aproximava, e cada vez mais Sara saia sem que ninguém percebesse e ia se encontrar com seu amante em um dos cassinos que ele freqüentava...
- Meu amor! – Se aproximava dele e o beijava perdida em seus olhos, cega pelo amor, sufocada pelo ópio. – Demorei?
- Na verdade não... – Sorria ele graciosamente. – Perdi todas as apostas... Estou sem dinheiro algum. – Ao mesmo tempo em que ele pronunciava as ultimas palavras com um leve sotaque francês ela lhe estendia a mão direita coberta por uma luva negra segurando um bolo grande de notas de dinheiro. Ele pegava e contava o dinheiro enquanto a deixava segurar em seu braço carinhosamente. – Só isso que você me trouxe hoje?
- Des... Desculpe-me... Não ganhei muito de meu pai nem de meu noivo essa semana... – Ela o olhava um pouco decepcionada com a reação dele.
-Tanto faz... – Dizia enquanto cheirava o cangote de outra mulher que estava do seu lado. Sara levemente acostumada com estas atitudes de seu amado quando estava sobe efeito de drogas e bebidas não se queixava.
E isso se repetiu quase todas as noites. Às vezes Sara dormia no cassino com seu amado e voltava bem sedo para casa. E cada vez ele pedia mais e mais dinheiro!
Cap 4
***
- Jean... Eles estão percebendo as minhas ausências... Por isso anteciparam o casamento, irei me casar amanhã... EU NÃO POSSO ME CASAR COM UMA PESO QUE EU NEM MESMO TENHO DIALOGO! - ela gritava para q ele prestasse atenção e desse o devido valor.
-Calma... Você não pode fugir, eu dependo do dinheiro de seu pai e desse babaca. - falava com as mãos na cabeça.
-Não posso fazer isso, se você realmente me ama fuja comigo.
-Para onde?
-Vamos para a França, vamos ver seus primos. - dizia esperançosa.
-São meus primos de 2º grau, eles nem devem se lembrar de mim, fora que ainda devem achar q meu pai é um assassino.
-E se não pensarem assim, tenho certeza de que não, mesmo assim ainda tem a amante de seu pai e sua tia Suzette. - Os olhos da garota brilhavam. - Jean, não dá mais para ariscar assim, eles já estão descobrindo, se descobrirem iram me matar e te perseguir pelo resto da vida.
-Você tem razão, vamos fugir, vou entrar no seu quarto amanhã depois de sua cerimônia. Pegue todo dinheiro q conseguir, de seu noivo, de seu pai, avós e avôs, tios e tias... Estarei lhe esperando na sacada de seu quarto.
-Obrigada Jean! - ela o abraça e o beija emocionada.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
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